Última atualização: agosto de 2026.
Se você quer começar a investir e procura uma alternativa à poupança, provavelmente já encontrou ofertas como “CDB 100% do CDI”, “110% do CDI” ou investimentos com liquidez diária. Mas afinal, o que é um CDB? É seguro? Quanto rende? Tem garantia? E como escolher um bom CDB sem cometer erros?
CDB significa Certificado de Depósito Bancário e é um investimento de renda fixa emitido por instituições financeiras. Na prática, quando você investe, empresta dinheiro à instituição emissora e recebe uma remuneração em troca, conforme as condições do título. É um dos investimentos mais conhecidos do mercado brasileiro, mas nem todo CDB é igual — antes de investir, é importante entender rentabilidade, liquidez, prazo, tributação, risco da instituição emissora e proteção do FGC.
Nota do editor: Alex Vicente, fundador do Guia Financeiro Digital, possui experiência anterior na área de crédito e atendimento a empreendedores. Uma dúvida muito comum entre investidores iniciantes é acreditar que basta escolher o CDB que oferece o maior percentual do CDI. Na prática, uma boa escolha também depende da liquidez, do prazo, da instituição emissora, da tributação e da proteção disponível para o investimento.
Importante: este conteúdo possui finalidade educativa e informativa e não representa recomendação individual de investimento. As taxas oferecidas pelos CDBs variam conforme a instituição, o prazo e as condições do mercado.
Neste artigo você vai ver:
O que é CDB?
CDB significa Certificado de Depósito Bancário — um investimento de renda fixa no qual você aplica dinheiro em uma instituição financeira e recebe uma remuneração conforme as condições estabelecidas no título. De forma simples: você investe → a instituição utiliza os recursos em suas atividades → paga uma remuneração ao investidor → no vencimento ou resgate permitido, você recebe o valor aplicado acrescido dos rendimentos.
O Banco Central define o CDB como um título privado representativo de um depósito a prazo feito por pessoa física ou jurídica. Diferentemente do Tesouro Direto, em que você investe em títulos públicos federais, no CDB existe uma instituição financeira privada como emissora do título.
Como funciona um CDB?
Um título pode oferecer, por exemplo, 110% do CDI — sua rentabilidade acompanha o comportamento do CDI durante o período da aplicação. Veja também nosso guia completo sobre o CDI para entender melhor essa referência. Outro CDB pode oferecer uma taxa prefixada, como 12% ao ano, definida no momento da aplicação. Também existem títulos híbridos, que combinam inflação e uma taxa de juros prefixada.
Antes de investir, verifique rentabilidade, prazo, vencimento, liquidez, possibilidade de resgate antecipado, período de carência, instituição emissora, cobertura do FGC e tributação. O maior percentual de rentabilidade nem sempre significa o melhor investimento para você.
Quem pode emitir CDB?
Podem emitir CDB instituições autorizadas como bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, a Caixa Econômica Federal e sociedades de crédito, financiamento e investimento autorizadas. Você pode encontrar CDBs em bancos tradicionais, bancos digitais ou plataformas de investimento — mas comprar um CDB por meio de uma corretora não significa que a corretora seja a emissora do título. Sempre verifique qual instituição financeira efetivamente emitiu o CDB.
Quais são os tipos de CDB?
CDB pós-fixado
Normalmente acompanha um indicador financeiro, geralmente o CDI (100%, 105%, 110% do CDI). A rentabilidade depende do comportamento do indicador durante o período. É o tipo mais comum entre investidores que procuram renda fixa ligada às taxas de juros do mercado.
CDB prefixado
A taxa é definida no momento da aplicação (por exemplo, 12% ao ano). Se o investimento for mantido conforme as condições contratadas até o vencimento, a rentabilidade seguirá a taxa prevista. É importante observar o prazo e as regras de liquidez antes de investir, especialmente se houver possibilidade de precisar do dinheiro antes do vencimento.
CDB híbrido
Combina componentes diferentes de rentabilidade, como IPCA + uma taxa prefixada. Pode ser usado em objetivos de prazo mais longo, mas exige atenção especial ao vencimento, à liquidez, à carência e à tributação.
CDB é seguro?
O CDB pode oferecer uma estrutura importante de proteção ao investidor, especialmente quando emitido por instituição associada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e dentro dos limites da garantia. Mas é importante evitar uma simplificação perigosa: CDB não significa risco zero. O principal risco é o risco de crédito da instituição emissora — a possibilidade de o banco enfrentar dificuldades para cumprir suas obrigações. É justamente nesse contexto que a garantia do FGC pode ser relevante.
Como funciona a garantia do FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferece garantia ordinária para determinados produtos financeiros, incluindo CDBs elegíveis. O limite geral da garantia é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado financeiro. Além disso, existe um teto global de até R$ 1 milhão em garantias recebidas pelo mesmo CPF ou CNPJ durante um período de quatro anos, observadas as regras do FGC.
Isso significa que não basta olhar quanto você possui em cada banco individualmente — também é importante verificar quais instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro, quanto você já possui aplicado em produtos cobertos, e quanto já recebeu anteriormente em garantias dentro do período de quatro anos. O FGC informa que a garantia ordinária pode abranger produtos como CDB, RDB, poupança, LCI, LCA, LCD e outros produtos elegíveis conforme suas regras.
A garantia inclui os rendimentos?
A cobertura do FGC deve ser analisada conforme as regras aplicáveis ao produto e à situação da instituição financeira. A documentação oficial do FGC não estabelece uma regra geral segundo a qual CDBs com liquidez diária teriam cobertura limitada apenas ao principal investido — não é correto afirmar que possuir liquidez diária, por si só, faz com que os rendimentos acumulados deixem de ser considerados para fins de garantia. O mais importante é respeitar os limites e regras oficiais aplicáveis à garantia.
Atenção: a existência da garantia do FGC não significa que você deve ignorar o risco da instituição emissora. Antes de investir, verifique o emissor, o conglomerado financeiro, os limites da cobertura e quanto dinheiro você já possui aplicado em produtos garantidos.
O que mudou nas regras relacionadas ao FGC em 2026?
Em 2026, o Conselho Monetário Nacional aprovou mudanças regulatórias relacionadas ao funcionamento e às salvaguardas do FGC. A Resolução CMN nº 5.295, de 23 de abril de 2026, alterou regras relacionadas principalmente às contribuições das instituições associadas e às condições em que determinadas instituições devem manter recursos alocados em títulos públicos federais. As mudanças buscam fortalecer mecanismos relacionados à liquidez do próprio sistema e reduzir riscos associados a estratégias agressivas de captação por parte dos bancos.
Em termos práticos para o investidor, a principal lição continua sendo: não escolha um CDB apenas porque oferece uma taxa muito superior à média do mercado — uma rentabilidade muito elevada pode justificar uma análise mais cuidadosa da instituição emissora, da liquidez e das condições do produto. A Resolução CMN nº 5.295/2026, porém, não criou uma regra geral determinando que os juros acumulados de CDBs com liquidez diária deixaram de ser cobertos pelo FGC.
CDB tem risco?
1. Risco da instituição emissora: o CDB é uma obrigação da instituição que emitiu o título. Se ela enfrentar dificuldades financeiras graves, o investidor pode depender da proteção do FGC, quando o produto for elegível e estiver dentro dos limites aplicáveis.
2. Risco de liquidez: nem todo CDB permite retirar o dinheiro a qualquer momento. Existem CDBs com liquidez diária, carência, prazo fechado, ou resgate apenas no vencimento. Nunca coloque sua reserva de emergência em um investimento sem verificar quando o dinheiro poderá ser resgatado.
3. Risco de oportunidade: uma taxa aparentemente excelente pode deixar seu dinheiro comprometido durante vários anos. Se precisar dos recursos antes do prazo, pode descobrir que o produto não permite resgate antecipado ou tem condições específicas para isso. Rentabilidade e liquidez devem ser analisadas juntas.
Quanto rende um CDB?
O rendimento depende do tipo de CDB, do percentual do CDI ou taxa prefixada, da inflação (nos títulos híbridos), do prazo, da instituição emissora e da tributação. Um CDB de 110% do CDI tende a oferecer rentabilidade bruta superior à de um CDB de 100% do CDI, no mesmo período e condições semelhantes — mas não compare investimentos apenas pelo percentual anunciado. Considere também Imposto de Renda, IOF em aplicações resgatadas antes de 30 dias, liquidez, prazo, risco da instituição e cobertura do FGC.
CDB paga Imposto de Renda?
Sim. Para pessoas físicas, os rendimentos de CDB seguem, em geral, a tabela regressiva do Imposto de Renda aplicável à renda fixa — o imposto incide sobre os rendimentos, não sobre o valor originalmente investido.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Exemplo: você investe R$ 10.000 e obtém R$ 1.000 de rendimento. O Imposto de Renda é calculado sobre os R$ 1.000 de lucro, conforme a alíquota do prazo da aplicação.
E o IOF?
Pode haver incidência de IOF sobre os rendimentos quando uma aplicação de renda fixa é resgatada antes de completar 30 dias, com alíquota regressiva que diminui conforme o tempo da aplicação. Após 30 dias, não há incidência de IOF sobre o rendimento. Para investimentos de curtíssimo prazo, considere tanto o IOF quanto o Imposto de Renda ao calcular a rentabilidade líquida.
CDB tem liquidez diária?
Alguns têm, outros não — uma das informações mais importantes antes de investir. Liquidez diária permite solicitar o resgate conforme as condições do produto, normalmente usado para objetivos de curto prazo e, dependendo das condições, parte de uma reserva de emergência. Liquidez no vencimento mantém o dinheiro aplicado até uma data determinada, podendo oferecer rentabilidades diferentes, mas não é adequada para recursos que você pode precisar rapidamente. Alguns produtos ainda têm carência, um período mínimo antes de permitir resgate. Antes de investir, pergunte sempre: quando poderei usar esse dinheiro novamente? A resposta pode ser mais importante que alguns pontos percentuais adicionais de rentabilidade.
Qual é a diferença entre CDB e poupança?
| Critério | Poupança | CDB |
|---|---|---|
| Rentabilidade | Definida pelas regras legais | Definida conforme as condições do título |
| Regra de rendimento | TR + remuneração adicional prevista em lei | CDI, taxa prefixada ou outra estrutura contratada |
| Liquidez | Geralmente disponível para saque | Depende do CDB |
| FGC | Sim, dentro das regras aplicáveis | Sim, para produtos elegíveis e dentro dos limites |
| Imposto de Renda (pessoa física) | Isento | Incide sobre os rendimentos |
| IOF | Não | Pode incidir sobre rendimentos em resgates antes de 30 dias |
Como funciona a rentabilidade da poupança?
Quando a meta da Selic é superior a 8,5% ao ano, a remuneração adicional é de 0,5% ao mês + TR. Quando é igual ou inferior a 8,5%, passa a 70% da meta da Selic ao ano, mensalizada, + TR. Para pessoa física, o rendimento é creditado na data de aniversário da aplicação — sacar antes dessa data pode afetar o rendimento daquele período.
Um CDB não é automaticamente melhor que a poupança — é necessário comparar o investimento específico, considerando rentabilidade líquida, liquidez, prazo, tributação e risco. Veja também nosso guia completo sobre Poupança ou CDB.
Como escolher um CDB
1. Quando vou precisar desse dinheiro? Se pode precisar rapidamente, a liquidez é fundamental. Para objetivos de longo prazo, um vencimento mais distante pode fazer sentido.
2. Quanto o CDB paga? Compare percentual do CDI, taxa prefixada ou rentabilidade híbrida — mas não escolha só pelo maior número.
3. Qual instituição emitiu o CDB? O CDB é uma obrigação da instituição emissora. Uma taxa muito superior à média do mercado pode justificar uma análise mais cuidadosa dessa instituição.
4. Existe cobertura do FGC? Verifique se o produto é elegível, se a instituição é associada, qual o conglomerado financeiro, quanto você já tem aplicado nele, e os limites gerais da garantia.
5. Existe liquidez de verdade? Uma taxa excelente pode ser péssima escolha para uma reserva de emergência se você não conseguir resgatar quando precisar. Nunca escolha um CDB apenas pela rentabilidade anunciada.
Como investir em CDB passo a passo
- Escolha uma instituição financeira — banco ou plataforma de investimentos com acesso a CDBs.
- Acesse a área de investimentos — geralmente em “Investimentos”, “Renda Fixa” ou “Aplicar”.
- Compare as opções — instituição emissora, rentabilidade, percentual do CDI ou taxa oferecida, prazo, vencimento, liquidez, carência, investimento mínimo e cobertura do FGC.
- Escolha de acordo com seu objetivo — liquidez costuma ser essencial para dinheiro de curto prazo; prazo e rentabilidade ganham peso em objetivos mais longos.
- Leia as condições antes de confirmar — data de vencimento, regras de resgate, carência, tributação e forma de rentabilidade.
Antes de investir dinheiro em produtos de prazo mais longo, vale pensar primeiro na sua segurança financeira. Uma reserva de emergência ajuda a evitar resgates no momento errado ou a necessidade de recorrer a empréstimos caros. Veja nosso guia completo sobre reserva de emergência.
Perguntas frequentes
O que é CDB?
É um investimento de renda fixa emitido por instituição financeira, no qual o investidor aplica recursos e recebe uma remuneração conforme as condições do título.
CDB é seguro?
Tem risco relacionado à instituição emissora. Produtos elegíveis podem contar com a garantia do FGC, dentro dos limites e regras aplicáveis.
CDB tem garantia do FGC?
Sim, produtos elegíveis, observados os limites de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição ou conglomerado, e o teto global de R$ 1 milhão em quatro anos.
Quanto rende um CDB de 100% do CDI?
Depende do comportamento do CDI no período da aplicação. O rendimento líquido pode ser reduzido pelo Imposto de Renda e, em resgates antes de 30 dias, pelo IOF.
Posso sacar o dinheiro de um CDB quando quiser?
Depende do produto — alguns têm liquidez diária, outros permitem resgate só no vencimento ou após carência. Sempre verifique as regras antes de investir.
Conclusão
O CDB é uma das alternativas mais conhecidas para quem quer começar a investir em renda fixa no Brasil. Você aplica dinheiro em uma instituição financeira e recebe uma remuneração conforme as condições estabelecidas pelo título. Mas investir bem não significa simplesmente escolher o CDB que promete o maior percentual do CDI.
Antes de aplicar, analise quem emitiu o título, quanto ele paga, quando você poderá resgatar, o prazo, a tributação, a incidência de IOF em aplicações de curtíssimo prazo, e a cobertura do FGC e seus limites. Para dinheiro que você pode precisar rapidamente, liquidez é fundamental. Para objetivos de longo prazo, prazo e rentabilidade podem ganhar mais importância. A regra mais importante continua simples: escolha o investimento de acordo com o objetivo do seu dinheiro — não apenas pela maior taxa anunciada.
Fontes oficiais
- Banco Central do Brasil — Informações sobre CDB e RDB
- FGC — Perguntas Frequentes
- FGC — Instituições associadas e conglomerados financeiros
- Banco Central — Resolução CMN nº 5.295, de 23 de abril de 2026
- Receita Federal — Tabelas do Imposto de Renda
- Banco Central — Remuneração dos depósitos de poupança
Aviso financeiro: este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa e não representa recomendação individual de investimento. Investimentos envolvem riscos e suas características variam conforme o produto, prazo e instituição financeira. Antes de investir, avalie seus objetivos, necessidade de liquidez e perfil de risco.
Sobre o autor: Alex Vicente é fundador e editor-chefe do Guia Financeiro Digital. É bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Ambiental, e técnico em Eletrônica e Informática. Está no serviço público desde 1996, tendo atuado como agente de crédito do Banco do Povo Paulista. Os conteúdos do Guia Financeiro Digital são produzidos com base em fontes oficiais e referências verificáveis, especialmente em temas financeiros, tributários e regulatórios, e revisados periodicamente para acompanhar mudanças relevantes.